Você é um profissional de fatos ou de opiniões?

Giani Savi

Tenho dificuldade de acreditar no acaso, quero supor que nada aparece em nossa frente do nada. Foi assim que aconteceu comigo neste último domingo, lendo uma entrevista com “Nassim Taleb”, analista de risco e forte defensor do rigor estatístico.

Segundo Taleb, se o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, você não pode fazer uma análise para 1 milhão de pessoas e aplicar em todo país.

Você que está lendo este texto até aqui deve estar se perguntando:

 

O que tudo isto tem a ver com fatos e opiniões?

 

Antes de explicar o porquê, vou contar uma história entre um mestre e seu discípulo:

– Mestre, quero contar-lhe que uma pessoa esteve falando de você com malevolência.

O mestre interrompeu-o dizendo:

– Espera! Já passou o que vai me dizer pelas três barreiras?

– As três barreiras? Pergunta o discípulo.

– Sim. Responde o sábio. A primeira é a verdade: já examinou cuidadosamente se o que vai me dizer é verdadeiro?

– Não…somente ouvi dizer de uns vizinhos.

– Pelo menos o fez passar pela segunda barreira, que é a bondade; o que quer dizer?

– Não, na realidade não. Ao contrário…

– Ah! Interrompeu o mestre. Então, vamos à última barreira: é necessário que me conte isso?

– Para ser sincero não. Necessário não é!

– Então sorriu o sábio mestre. Se não é verdadeiro, nem bom, nem necessário, deixemo-lo cair no esquecimento!

 

Já ouviu algo parecido na sua empresa?

 

No cotidiano corporativo estamos constantemente fazendo diversas observações e emitindo infinitos julgamentos. Alguns são mais, e outros bem menos consistentes. Uns são relevantes, outros nem tanto.

As divergências de opiniões são emitidas em reuniões, discussões de projetos, em bate papos do cafezinho, em um mesa de happy hour, etc.

Como profissional, eu tenho a consciência que a opinião é minha, e que ela pode não ser a mais adequada e válida?

Os dados estão embasados e fundamentados em fatos e observações, ou em opiniões e julgamentos?

Muitos erros de comunicação, desavenças e até omissões da realidade acontecem nas empresas, quando confundimos os dois conceitos. Temos muitas conversas baseadas unicamente em opiniões, sem nos determos aos fatos. É muito normal observarmos profissionais transformando as opiniões em um fato, e na sequencia tomando decisões baseadas nisso.

 

E o que tudo isto tem a ver com a entrevista do Nassim Taleb?

 

Na entrevista ele comenta que muitas pessoas no mundo estão fazendo grandes intervenções, colaborando em decisões e achando que estão fazendo o bem. Mas nem sempre é isso o que acontece!

Analisando estas colocações, podemos dizer que tão importante quanto a fundamentação (por que) é o (para quê) da minha opinião. Todo mundo julga facilmente tudo e todos.

 

Será que estamos sendo honestos conosco e responsáveis por nossos atos?

Até onde o meu ego pode ir?

 

Segundo o filósofo Nietszche: “Não existe a verdade. Existe apenas a interpretação”.

Agora o bom filósofo veio e bagunçou tudo! Então não existe certo nem errado? Nem fatos e dados, tudo é ilusão?

Esta será uma conversa longa, mas para um outro texto! Muitos filósofos, neurocientistas e psicólogos ainda estão longe da verdade. Muitos investimentos em pesquisas estão sendo feitos, para descobrir como o cérebro humano interpreta o que enxerga no mundo.

 

Fontes: Coaching, A Arte de Soprar Brasas de Leonardo Wolk e Revista Exame.

 

Eu sou Giani Savi, Especialista em Carreira, apaixonada pelo universo corporativo e suas nuances. Ajudo profissionais com mentoria e coaching, para que os mesmos possam ser ainda mais assertivos em suas escolhas.

Giani Savi

Consultora e Coach de Carreira, com foco nas competências para o futuro do trabalho! Possui mais de 20 anos de experiências em empresas como Varig, Renault, Vivo, Pearson, Nicoll e Claro. Hoje é empreendedora da própria marca, a GSavi Coaching.