Viver em uma realidade que não existe!
Quem me conhece um pouquinho, sabe que às vezes me dá uns três minutos e eu escolho uma série na Netflix (rede de streaming) e não consigo parar de assistir até chegar ao “THE END”.
Evito escolher séries de longas temporadas, porque quando chega ao final, eu ainda estou com aquela história na cabeça e custo me desligar e voltar a realidade.

Ultimamente ando assistindo algumas séries as quais os personagens são bem diferentes, modernos e futuristas. Aquelas em que o guri é mais jovem, super ligado em novas tecnologias e parece viver num mudo a parte. Quase sempre fala pouco, isolando-se de todos e avesso a manifestações.
Quando vejo alguém assim, vivendo num mundo criado por ele mesmo e embarcado nas novas tecnologias, isso me preocupa. Ao mesmo tempo que a Inteligência Artificial, Big Data, Cloud, Gamificação, Realidade Estendida trazem um grande avanço no presente e futuro, por outro lado, me pergunto se não deixará os humanos por fora da realidade.

A modernidade é muito excitante. Mas, ao mesmo tempo, existem riscos. Um deles, por exemplo, pode estar associado à manipulação da verdade (realidade). Como sou observadora, assisto algumas cenas de Realidade Estendida e me questiono se não se tornará uma espécie de “droga” para fuga da dor psicológica.
Posso estar me preocupando em demasia, mas as pessoas tenderão a passar muito mais tempo no mundo virtual, um mundo que pode ser mais perfeito do que o atual cheio de problemas. No mundo real temos que agir se quisermos resultados diferentes, temos que encarar os nossos medos, estar de frente com a realidade.
Será que as pessoas não irão preferir ficar na inércia e no comodismo?
Quando estamos no conforto virtual, e o cérebro gosta porque busca a segurança, podemos eliminar a dor daquilo que nos impede de ser feliz. Podemos enganar o cérebro fazendo-o achar que está vivendo uma realidade que de fato não existe. Mas a busca pela evolução, pelo sentido da vida, pode ficar prejudicada.
Como tudo possui dois lados, o tempo mostra que as novas tecnologias serão massificadas, aumentando cada vez mais a capacidade dos equipamentos, diminuindo os preços e democratizando os acessos. A Realidade Estendida, por exemplo, poderá transportar as pessoas para lugares onde elas jamais iriam, percorrer distâncias que não conseguiríamos percorrer, evitar tragédias, ajudar pessoas, etc.

Quando usamos essas novas ferramentas que nos auxiliarão a viver e trabalhar melhor, existe uma linha tênue, a ética. Por isso acredito que o nosso livre arbítrio será muito mais importante daqui para a frente. Quando você possui um bom autoconhecimento, quando você entende e compreende o que é melhor para você, poderá fazer escolhas que não prejudicarão e não te isolarão da verdade!
Podemos humanizar a tecnologia, trazer a tecnologia para a nossa realidade, mas, não, a pessoa para o ambiente de isolamento virtual.
E aí, já pensou nisso? Ou está deixando a vida e as novas tecnologias te levar?