A linguagem da internet pode prejudicar a aprendizagem?
Uso contínuo de abreviaturas e de celular durante as aulas por adolescentes preocupa os professores.
Não é de hoje que a internet é sinônimo de instantaneidade. Um exemplo básico são as redes sociais que requer rapidez e respostas curtas. Muitas pessoas utilizam abreviaturas como “n”, “vc”, “tbm” para se comunicar mais rápido, formas estas que equivalem respectivamente por “não”, “você” e “também”, entre outras.
Esta linguagem foi criada por uma necessidade de comunicação rápida e fácil. A maioria dos seus principais usuários são os adolescentes, público fiel das redes sociais. O que vem chamando atenção é que eles passaram da tela dos notebooks e smartphones para o dia a dia. É cada vez mais comum o uso das abreviações nas escolas e a utilização contínua passou a preocupar os professores.
A professora de Língua Portuguesa, Neusa Cristina Gava Nazário comenta que a linguagem poderá trazer consequências no aprendizado. “A linguagem de internet que eles utilizam bastantes abreviaturas é a comunicação fácil, eles se entendem, conseguem se comunicar. Só que depois vão ter consequências, na hora de passar para o papel as ideias eles têm dificuldades. Acabam escrevendo errado e desconhecendo a grafia”, aponta a educadora.
Para a educadora existe uma grande falta de cuidado com a escrita, do jeito que os adolescentes escrevem na internet também escrevem no papel e utilizam no dia a dia. “Eles erram não por falta de conhecimento, sabem que estão cometendo um erro, mas acham que é normal. Acaba se tornando um erro costumeiro e a consequência é que eles vão levar isso como uma coisa natural. Nós, como professores temos a responsabilidade de abrir os olhos deles”, ressalta Neusa Cristina.
Estes erros são costumeiros das crianças e adolescentes, pelo tempo que passam na internet e acabam criando este mau-hábito. Os adultos têm mais cuidado na hora de escrever, mas podem cair no deslize. “É feio escrever errado e dizer que é por falta de tempo, isso não é desculpa. As pessoas tem que se acostumar a escrever certo diante da internet e tornar isso um hábito”, salienta a professora.
“Hoje em dia a maioria das pessoas usam por ser mais fácil e rápido de escrever. Não é sempre, mas às vezes sinto dificuldade, sou acostumada a abreviar tudo o que posso e até nas provas me atrapalho”, conta a estudante Paola Gava, de 13 anos, do 7° ano da Escola de Educação Básica Abílio César Borges.
Este recurso usado pelos mais novos, além de ser fácil e rápido é de fácil compreensão entre eles, mas ao falar com um adulto a compreensão não é imediata. “É mais rápido e todo mundo entende, a maioria de meus amigos usam. É bem difícil os adultos entenderem, só entende quem usa”, aponta a estudante, Débora Gava, de 16 anos, do 2° ano do ensino médio da Escola de Educação Humberto Hermes Hoffmann, de Caravaggio. Além disso, Eduarda conta que não usa gírias na hora de escrever, mas tem muitos erros de português.
Outro problema que preocupa os professores é o uso do celular em sala de aula, a dependência do aparelho móvel tornou-se tão grande que dispersa a atenção do aluno e prejudica a aprendizagem.
Para Neusa Cristina a internet tem seu lado bom e negativo. “Tem informação demais e eles querem absorver isso. Ela poderá ser uma ótima fonte de pesquisa, mas tem que saber utilizar”, afirma.







