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Casal vive momentos de fé durante Caminho de Santiago de Compostela

Para completar o trajeto de 800 quilômetros, o casal chegava a realizar de 20 a 40 quilômetros por dia em cerca de 11 horas de caminhada durante os 29 dias de peregrinação.

O casal de professores aposentados Miro e Iraci Gava realizaram no último mês, o Caminho de Santiago de Compostela. Foram 29 dias de caminhada em uma das mais famosas peregrinações feita pelos cristãos, desde o século IX, onde foi enterrado o apóstolo Santiago. Nesta época do ano, são mais de 1,5 mil peregrinos que realizam o caminho diariamente, seja caminhando ou de bicicleta. Durante todo o percurso iam passando por cidades e vilarejos com paisagens diversas esculpidas no meio de montanhas, igrejas, além de uma natureza exuberante e repleta de flores.  

Para completar o trajeto de 800 quilômetros, o casal neoveneziano percorria de 20 a 40 quilômetros por dia em cerca de 11 horas de caminhada. “O caminho era difícil, tem todas as variações de terrenos e eram muitas emoções. Tem trechos que te deixam angustiados e outros que são de muita beleza, despertando emoções variadas, muito mais de prazer e satisfação e realização do que dor e cansaço”, conta Gava que levou três pares de calçados com a preocupação de ferir os pés durante o trajeto.

Segundo Iraci houve uma boa preparação antes de iniciarem a viagem, durante alguns meses eles realizaram caminhadas. “Tivemos toda uma preparação. Eu tenho a pele fina, tinha preocupação com relação aos meus pés, mas não fiz nenhuma bolha durante todo o trajeto. Muitas pessoas faziam bolhas, torciam os pés e que caiam”, relata.

A rotina

A rotina do casal começava cedo, acordavam às 5h da manhã antes mesmo do nascer do sol para poderem chegar aos albergues públicos, local destinado para os peregrinos se hospedarem.

“A nossa vida estava dentro da mochila. O nosso caminho foi se transformando dia após dia. No início ficamos em albergues e comemos em restaurantes, mas chegou um momento que preferimos ficar em albergues públicos, pois não estávamos em uma viagem de turismo, queríamos ser peregrinos. Para conseguir vagas em albergues públicos tínhamos que acordar cedo para chegar ao local. Foram momentos de desapego”, conta Iraci.

Momentos de fé

Gava conta que iniciaram o caminho com chuva, mas mesmo assim não desistiram e seguiram adiante na peregrinação. “Um dos momentos que mais nos marcou foi o monte do perdão, é um momento de se reconciliar. Foi quando veio uma tempestade, tive a impressão que foi para lavar os pecados. Passei por momentos de medo, para a sua esposa foi um momento de elevação”, lembra.

Para Iraci o caminho foi um momento de fé, conhecimento, aprendizado e determinação. “Não foi somente nós que tivemos essa conquista, mas todos que nos rodeiam. Sentíamos as vibrações das pessoas que estavam rezando por nós. Durante todo o caminho rezamos, começávamos o dia rezando, parávamos para rezar e terminávamos o dia rezando e isso foi algo que nos ajudou. Foi um aprendizado, fomos nos transformando ao longo do caminho. Tinham momentos que você encontrava pessoas de diversas nações e línguas, mas tinha momentos que ficávamos sozinhos”, destaca.

O presente

Durante o trajeto Iraci foi presenteada com um cajado feito por um senhor. “Isso é um sinal de benção, não é a gente que escolhe o cajado, mas o cajado escolhe você”, comenta.

Assista o depoimento:

Para Gava o caminho é uma oportunidade de evangelizar e transformar o outro. “Foi a realização de sonho, o caminho começa quando termina, muitas pessoas ficaram sabendo e querem ir”, salienta.

O casal realizou o Caminho das Estrelas, trajeto conhecido por ser o mais longo que leva até a cidade de Santiago de Compostela e terminaram a viagem em Finisterre. Dentre as lembranças, trouxeram para casa o diploma que indica a realização da peregrinação.