Mais conectados. Mais conteúdo. Muito mais Nova Veneza.

Pateta e hipócrita

Todos os dias, na abertura do programa Revista Eldorado, procuramos abordar temas que elevem e inspirem as pessoas.

Sempre procuramos abordar os aspectos positivos das coisas, pois acreditamos que já ressaltam as mazelas o bastante, e talvez bem mais que o bastante.

Mas há dias em que temos que fugir a regra. Como neste episódio, em que proponho uma análise sobre duas palavras.

Pateta e hipócrita.

A notícia da execução do brasileiro na Indonésia e de outro que está no corredor da morte por tráfico de drogas, levou a comoção e discussão nacional sobre o direito à vida, as relações internacionais entre os dois países, as formas de pressão do Brasil para conseguir a clemencia e posterior extradição do segundo condenado.

Pois bem.

Sempre me posicionei e continuo me posicionando contra a pena de morte. Continuo com o mesmo argumento de que não se pode matar para mostrar que matar é errado.

Mas vamos ao caso específico.

Estamos vivendo um momento extremamente delicado no que tange à corrupção no nosso país e seus efeitos nefastos para toda a sociedade. Também lidamos com as agruras da má gestão pública que nos obriga a pagar caro pela energia elétrica pela incompetência do Poder Público em nos garantir energia com segurança e a preços justos.

Vamos pagar até 40% mais pelo preço da energia porque nossos governantes foram incompetentes em não antever os problemas que nos levam a falta de energia.

Esta alta e outras nos impostos e serviços públicos vão acarretar milhares de demissões, crise familiares, desavenças e tudo mais que se possa imaginar.

Sobem os juros da compra de imóveis, os maiores cortes são na educação.

Todos os dias, acompanhamos os noticiários e nos deparamos com uma situação cada vez mais sem controle.

Bandidos dão as ordens, enquanto o Estado só assiste ou é conivente com as ações, desde que, quem tenha o controle dirija os votos para a sua legenda.

Pois bem. Vamos vir pra cá, bem pertinho de nós.

Tive a ideia de ligar para o Almir Fernandes, do IGP, buscando os números dos assassinatos aqui na região, somente no ano passado.

Ao todo, 64 pessoas foram assassinadas aqui na região em 2014 e mais 18 tentativas, quando o socorro chegou a tempo de evitar a morte, mas que conta como índice de violência. Tirando latrocínios e crimes passionais, que são o mínimo, a grande maioria destas mortes são ocasionadas pela guerra das drogas.

Milhares de pessoas são executadas todos os anos no Brasil pela guerra de tráfico. Execução sumárias de bandidos ou mocinhos, não importa, mas execuções sumárias, sem julgamento, sem apelações oficiais e o que é pior, contando com o maior apoio de todos: o nosso silencio e indiferença.

Sim. O caso do brasileiro comoveu a população, mas esta mesma população cala diante de milhares de execuções todos os anos, bem debaixo do seu nariz.

Enquanto tudo isso acontece por aqui, nós deixamos correr a corrupção, os aumentos de impostos e encargos públicos, as mortes e execuções nos tribunais do tráfico, da nossa falta de segurança e vamos discutir a pena de morte na Indonésia.

Bonecos iludidos, manipulados pela força da mídia e de seus espetáculos, mesmo que seja a morte de um traficante, que por coincidência é da cidade onde mais morrem pessoas pelos efeitos do tráfico de drogas no país.

Como escrevi no começo, quero propor uma análise sobre as duas palavras: pateta e hipocrisia.

Na verdade não sei se somos hipócritas ou patetas, ou as duas coisas ao mesmo. Se formos as duas coisas ao mesmo tempo, não sei qual a ordem. Se, somos hipócritas patetas ou patetas hipócritas.

 

Um abraço!             

Agenda cultural