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Meu Caos

Dia após dia, me questiono quando acabarei com este caos. Confusa, desfiz as amarras que me prendiam à madrugada e  aos seus demônios, me agarrando ao dia para vencer batalhas que eu mesma não compreendi o porquê....

Num lampejo de consciência, chorei sem que lágrima alguma caísse. Roí as unhas, mordi os lábios, engoli palavras. E o caos persistiu, sem que eu soubesse como controlá-lo. Seria necessária apenas uma palavra tua para me devolver o sentido. É, seria, mas ela não veio. Pura incompreensão? Indiferença quem sabe? Tanto silêncio, e eu sem nenhum sossego.

E o vento lá fora continua soprando em meus ouvidos, emaranhando meus cabelos, conturbando minha visão. É maio, e faz um quase frio e eu quase morro por dentro. Tua ausência  viola minhas leis de não querer lei nenhuma. Meu corpo se agita e padece nesta espera, em meio ao desespero que se instala a cada dia. Não há refúgio, nem saídas. Não há mais nada além de mim e de um silêncio que se perde no tempo, demorando tanto a passar.

Fecho os olhos tentando me enxergar por dentro, só vejo a escuridão que faz o dia se apagar por completo. E em apatia torno a visitar os lugares da minha alegria, já tão distantes e antigos, e percebo o quanto sou repetitiva com essa mania de te esperar, de te adorar, de querer te cuidar, enquanto eu me descuido.

É que tudo me afasta desta que sou agora, quando estou contigo. Distante de ti me transformo em outra pessoa. Uma que não reconheço e que me aborrece. Contigo sou plenitude, peito aberto, e me faço serena ao mergulhar nas ondas de teu sorriso. Contigo eu consigo suportar esse maldito caos. Mas sempre me falta tudo, se tu me faltas um pouco que seja.

 

Alexandra Boaroli

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