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Morte Íntima

Hoje quando dei por mim, estava tão submersa na lembrança dos teus olhos,

que atravessei infindáveis noites mergulhada em um escuro tão grande e invadido de saudades.

Os delírios mais insanos assombravam meus sonhos,

me fazendo escrava de um desejo que não havia sentido anteriormente.

Os dias passavam por mim, como passa um sofrimento: lentos e dolorosos.

Minhas retinas derreteram-se num choro manso.

Mas sinto gostar das feridas, porque me fazem humana.

A dor é tão particular, e eu me sinto morta.

Sem que haja necessidade de qualquer explicação.

Porque um amor que não se pode viver é a própria morte em vida.

Então grito, porque sou apenas uma louca sem definições ou débitos,

Com algumas culpas,

E um vício estúpido de queixar-me de tudo.

Mas porquê, se fui responsável?

E é o amor que ainda sobrevive depois que o dia acaba,

Quando as portas se fecham e escuridão se demora.

Pois  o amor é o único que se mantém intacto à solidão,

E somente ele é capaz de permanecer vivo depois da morte.

 

*Alexandra Boaroli

 

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