Mais conectados. Mais conteúdo. Muito mais Nova Veneza.

Trago (do verbo tragar)

Tu eras um capricho meu. Descobri durante estes dias que se tratava disso.

E eu não gosto muito de ficar  repetindo comida requentada. Quero experimentar algo novo. Então estou jogando as sobras na lata de lixo. Porque preciso tragar coisas novas.  E somente assim eu trago.

Trago os planos. Trago a busca. Trago o seu descaso. Trago o silêncio das manhãs. Trago o seu descarte. Trago os meus fetiches. Trago a sua dúvida. Trago o seu desperdício. Trago a novidade. Trago as tardes de leitura. Trago as noites de solidão. Trago o meu drama. Trago o meu apego. Trago os meus excessos. Trago toda a minha desilusão. Talvez trague as entrelinhas. Só não trago a minha decepção, porque não quero engasgar.

Mas, com um prato diferente eu fico satisfeita. Só que eu nunca fico satisfeita com nada. No entanto, não se aflija. Aprecie a sua desejada solidão. Aprecie a sua estrada.

Porque tudo aquilo que tu negas, eu ainda trago. Mas que desta vez, não é por puro capricho. É por vício. Eu até tentei me espalhar por aí. Para me aquecer. Para estremecer sem você. Para bagunçar, você sabe.

É que com você sempre me senti só, então fiz um auê, e agora  coleciono meus ais.     Não haverá troco, mas aguarde os juros.

No mais, vou indo embora. Vá também (por favor). Há caminhos para outros alvos em todos os cantos, você sabe. Não mire mais em mim.

Espero que você esteja rumando para um lugar que te faça feliz. Mais feliz do que fomos.

Eu também vou. E enquanto isso, eu trago.

Alexandra Boaroli

 

Agenda cultural